25.3.09

pequenas flutuações (e mais metric)


São pequenas flutuações. Incompreensíveis. As portas começam a fechar-se. E retorna-se para nunca mais voltar. A dopamina diminui. O tempo avança exponencialmente, após um momento de silêncio. O estatismo morre. Esqueci-me. De certa forma, seria impossível manter tudo. As mãos deixam passar grãos de areia. Inevitável. As feições ganham rugas, as circunvulações ganham rugas, os olhos ganham rugas. Continuo a ser estesicamente visceral. Gostava de ser mais emocional. As ruas ainda me dão vertigens. Mas acho que sempre me deram. Músicas que se repetem e se tornam espaços, pessoas, personalidades, mundos, que englobam tudo até o silêncio.

Ultimamente tenho-me esvaído em sonhos. Esgoto-me totalmente. A coexistência de diversas instâncias. Daqui a alguns minutos estarei completamente esvaído. Completamente esvaído de mim, de ti, e ao mesmo tempo completamente incluso em mim e em ti. Em planos adjacentes, complacentes, fervilhantes e surreais. E tudo faz tão sentido, finalmente. Coisas desprovidas de elevada resolução, apenas pedaços, fragmentos, sem parar.

E o que quero dizer com isto?

Queria dizer algo, mas não consigo. É difícil atravessar a ponte. É a vertigem somente. De resto, não é lógico. Mas se correr demasiado rápido nem tenho consciência. Talvez faça uma corrida. Tem de ser. O tempo corre cada vez mais rápido. É da idade, dizem eles.

O Sol atravessado pelo vento está desagradável. O barulho das obras não me deixa perder a consciência. Adoro o efeito ansiolítico do sol. Adoro os seus raios sorridentes. Adoro o sorriso que transparece nos desenhos do infantário. Quem é ele?

O metro. O metro. Ouvindo música no metro. Inconsciente de olhos abertos. O coração não pára de bater, bolas.

Talvez amanhã vá a um jantar, a um concerto, mais outro, mais outro. E depois, já viste aquela exposição? Vamos almoçar juntos. Tenho saudades tuas. Amo-te. Não sejas ridículo. Convida-o também. Não sejas assim. Sim, nunca tinha ido a esse restaurante. É óptimo, mas um pouco caro. Espera. Ah! Não te vi. Bom dia. Que ar é esse? Nunca me convidam, seus marotos.

Os dias passam rapidamente. Desbotados, aquele verde escuro.

Os dias passam.

As horas passam.

E nada realmente muda.


2 comentários:

Daniel Silva disse...

os termos tecnicos (que estao muito bem aplicados) perdem um pouco ao texto, na minha opinião, que está fluente, veloz, como um pensamento disparado. Muito bom texto.

Abraços

Heartbeats disse...

É que às vezes apetece-me escrever sem ter nada para dizer e sai isto.

abracito